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É proibido ser curioso

O conhecimento é pecado. Adão e Eva comeram os frutos dessa árvore; e aconteceu o que aconteceu.

Algum tempo depois, Nicolau Copérnico, Giordano Bruno e Galileu Galilei sofreram castigo por terem comprovado que a terra gira ao redor do sol.

Copérnico não se atreveu a publicar a escandalosa revelação, até sentir que a morte estava muito perto. A Igreja Católica incluiu sua obra no índex dos livros proibidos.

Bruno, poeta errante, divulgou pelos caminhos a heresia de Copérnico: o mundo não era o centro do universo, mas apenas um dos astros do sistema solar. A Santa Inquisição trancou-o durante oito anos num calabouço. Várias vezes lhe ofereceram o arrependimento, e várias vezes Bruno se negou. Esse cabeça-dura foi enfim queimado, diante da multidão, no mercado romano de Campo dei Fiori. Enquanto ardia, aproximaram um crucifixo aos seus lábios. Ele virou o rosto.

Alguns anos depois, explorando os céus com as trinta e duas lentes de aumento de seu telescópio, Galileu confirmou que o condenado tinha razão.

Foi preso por blasfêmia.

Nos interrogatórios, desmoronou.

Em voz alta jurou que amaldiçoava quem acreditasse que o mundo se movia ao redor do sol.

E baixinho murmurou, dizem, a frase que lhe deu fama eterna.

Extraído da obra Espelhos – Uma história quase universal, de Eduardo Galeano, publicado pela L&PM Editores.

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Cortina de Fumaça – Você Precisa Ouvir o Que Eles Tem a Dizer

Em tempos de oficialização da perseguição e da tortura de dependes químicos operada na cidade São Paulo, salta aos olhos de quem tem bom senso a necessidade de se repensar a política de drogas. O documentário Cortina de Fumaça – Você Precisa Ouvir o Que Eles Tem a Dizer, disponível no Youtube, enfrenta os preconceitos e as ideologias presentes nas entrelinhas da temática.

Filme produzido, escrito e dirigido pelo jornalista Rodrigo Mac Niven, numa co-produção entre a J.R. Mac Niven Produções e a TVa2 Produções.

Por fim, Dissencialistas Indica. Há alguns dias, minha amiga Iracema Vasconcellos sugeriu-me a leitura da matéria O que aprendi com o pior jornalista do mundo, de Eliane Brum. A partir da narrativa de uma situação angustiante vivida por Brum, a jornalista propõe o exercício da dúvida. Nas palavras da própria autora, “duvidar não é um exercício fácil. É um ato de resistência internamente tão exaustivo – e tão perigoso – quanto atravessar o Atlântico num barco a remo. Escolher duvidar como caminho para alargar nosso estreito espaço de liberdade é uma boa meta para 2012. Só os escravos de espírito têm certezas de concreto armado. Quem anseia pela liberdade, ainda que imperfeita, escolhe tornar-se um colecionador de dúvidas”.

Até a próxima,
Stanley Marques.

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