Arquivo da tag: contos

Eduardo Galeano: Criminologia

A cada ano, os pesticidas químicos matam pelo menos três milhões de camponeses.

A cada dia, os acidentes de trabalho matam pelo menos dez mil trabalhadores.

A cada minuto, a miséria mata pelo menos dez crianças.

Esses crimes não aparecem nos noticiários. São, como as guerras, atos normais de canibalismo.

Os criminosos andam soltos. As prisões não foram feitas para os que estripam multidões. A construção de prisões é o plano de habitação que os pobres merecem.

Há mais de dois séculos, se perguntava Thomas Paine:

– Por que será que é tão raro que enforquem alguém que não seja pobre?

Texas, século XXI: a última ceia delata a clientela do patíbulo. Ninguém pede lagosta ou filet mignon, embora esses pratos apareçam no menu de despedida. Os condenados preferem dizer adeus ao mundo comendo hambúrguer e batata frita, como de costume.

.

Extraído do livro Espelhos: uma história quase universal, publicado pela L&PM Editores.

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Contos machadianos fantásticos

Após ler algumas obras de renomados autores estrangeiros, senti necessidade de desvendar um pouco mais a literatura nacional. Foi então que procurei entre os recentes livros adquiridos algum título que me despertasse curiosidade. Deparei-me com Três contos fantásticos (EDIFIEO), de Machado de Assis (1839-1908). Nada mal. Três dos 218 contos machadianos compõe a obra: Sem olhos (1876), Um esqueleto (1875) e A chinela turca (1875).

Coube a Sandra Nunes a apresentação, segundo a qual os contos escolhidos estão inseridos no gênero fantástico, sendo que a palavra fantástico para estes contos de Machado de Assis “reflete a imagem da narrativa literária como fruto de um trabalho árduo com a linguagem. Ao assumir-se como pura construção, o mundo de palavras faz valer a máxima de que tudo é possível. Desta forma, a literatura tem apenas uma missão narrativa; não importa o que narrar, mas que os contos se transformem em – como Cortázar chamou os contos de Poe – perfeitas máquinas de produzir efeitos fulminantes”.

Dos três contos, dois estão disponíveis no site Domínio Público. Para ter acesso aos textos, basta um clique: Um esqueleto e A chinela turca.

É sempre bom revisitar Machado de Assis. Boa leitura!

Stanley Marques

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , ,
%d blogueiros gostam disto: