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10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil – Lula e Dilma

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“O Brasil sempre foi conhecido como o país mais desigual do continente mais desigual. Foi aí, nesse foco, que o governo Lula e o governo Dilma atacam fundamentalmente. Primeira razão fundamental para apoiar esse governo é essa. É ter diminuído a desigualdade, ter diminuído a miséria, ter diminuído a pobreza”. Emir Sader.

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No último mês de maio, o Centro Cultural São Paulo abriu suas portas para a realização do debate de lançamento do livro 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil – Lula e Dilma.

Na ocasião, o sociólogo Emir Sader, organizador da obra, o economista Marcio Pochmann, a filósofa Marinela Chaui e o ex-presidente Lula expuseram seus pontos de vista a respeito da nova paisagem da realidade brasileira, ainda amarga, no entanto, mais inclusiva, substancialmente menos desigual. Reflexo de lutas cotidianas que enfrentam obstáculos encarados por muitos como intransponíveis.

Enquanto assistia o debate pelo Youtube, pensei que uma brevíssima postagem sobre a revolução social pela qual passou o Brasil na última década, a despeito de ventos internacionais nada favoráveis e de uma cínica elite política, empresarial e midiática, seria uma boa razão para voltar a atualizar o Dissencialistas, sem novas postagens desde outubro do ano passado.

O livro, publicado pela Boitempo Editorial, está à venda por R$30,00. Também está disponível no formato digital para download gratuito. Em junho, já havia ultrapassado a marca de 450 mil downloads. Para baixá-lo, clique aqui.

Acompanhe também o debate.


Até a próxima,
Stanley Marques.

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Esquerda versus direita: um debate condenado à eterna recorrência

Acabo de acompanhar o interessante debate entre os filósofos Marcos Nobre e Luiz Felipe Pondé acerca dos conceitos e das possibilidades da esquerda e da direita. A mediação coube a Otavio Frias Filho. O encontro entre os teóricos, disponível no Youtube em 5 blocos, faz parte do projeto “Desentendimento”, promovido pela revista Serrote.

Convencido há algum tempo de que trata-se de uma discussão que não comporta outra conclusão a não ser a necessidade do permanente enfrentamento, compartilho o debate com os leitores do blog com o propósito de suscitar novos questionamentos.


Até a próxima,
Stanley Marques.

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A pobreza de nossas aspirações

Relendo o livro de Michael Sandel, Justiça. O que é fazer a coisa certa (Civilização Brasileira), provavelmente o livro mais popular de Filosofia Política dos últimos anos, a meu ver em razão de sua simplicidade (e aqui não faço qualquer crítica negativa, muito pelo contrário), um trecho do discurso proferido por Robert F. Kennedy na Universidade de Kansas, em 18 de março de 1968, me chamou (novamente) a atenção. Penso que o assunto abordado pelo estadunidense, assassinado menos de três meses depois de proferir as palavras abaixo, poderá nos orientar enquanto cidadãos engajados nas principais discussões que traduzem o Brasil contemporâneo.

Sem a pretensão de me enveredar no embate sobre a justiça travado entre liberais e comunitaristas, destaco a passagem a seguir para que possamos refletir sobre a atual conjuntura política, econômica e social brasileira, afinal “ainda que trabalhemos para erradicar a pobreza material […] há outra tarefa de grande importância: enfrentar a pobreza de aspirações que nos aflige a todos”. Não bastaria, segundo Kennedy, o “mero acúmulo de bens materiais” (SANDEL, 2011, p. 323).

“Nosso Produto Interno Bruto agora ultrapassa 800 bilhões de dólares por ano. Mas nesse PIB estão embutidos a poluição do ar, os comerciais de cigarros e as ambulâncias para limpar nossas carnificinas. Ele inclui fechaduras especiais para nossas portas e prisões para as pessoas que as arrombam. Inclui a destruição de nossas sequoias e a perda de nossas maravilhas naturais em acumulações caóticas de lucro. Inclui as bombas napalm e as ogivas nucleares e os veículos blindados da polícia para combater os tumultos em nossas cidades. Inclui (…) os programas de televisão que estimulam a violência com a finalidade de vender brinquedos a nossas crianças. Entretanto, o PIB não garante a saúde de nossas crianças, a qualidade de sua educação ou a alegria de suas brincadeiras. Não inclui a beleza de nossos debates públicos ou a integridade das autoridades de nosso governo. Ele não mensura nosso talento ou nossa coragem, nossa sabedoria ou nosso aprendizado, nossa compaixão ou nossa devoção a nossa país. Ele tem a ver com tudo, em suma, exceto com aquilo que faz com que a vida valha a pena. E ele pode nos dizer tudo sobre os Estados Unidos, exceto o motivo pelo qual temos orgulho de ser americanos” (SANDEL, 2011, p. 324).

Por fim, uma provocação: seria satisfatório ou mesmo apropriado que as discussões sobre justiça e direitos sejam conduzidas pela racionalidade pública liberal, despojada de fundamentação em conceitos morais ou religiosos?

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Em pouco mais de um ano o blog já ultrapassou a marca de 3.000 acessos. Obrigado!

Até a próxima,
Stanley Marques.

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