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Contos machadianos fantásticos

Após ler algumas obras de renomados autores estrangeiros, senti necessidade de desvendar um pouco mais a literatura nacional. Foi então que procurei entre os recentes livros adquiridos algum título que me despertasse curiosidade. Deparei-me com Três contos fantásticos (EDIFIEO), de Machado de Assis (1839-1908). Nada mal. Três dos 218 contos machadianos compõe a obra: Sem olhos (1876), Um esqueleto (1875) e A chinela turca (1875).

Coube a Sandra Nunes a apresentação, segundo a qual os contos escolhidos estão inseridos no gênero fantástico, sendo que a palavra fantástico para estes contos de Machado de Assis “reflete a imagem da narrativa literária como fruto de um trabalho árduo com a linguagem. Ao assumir-se como pura construção, o mundo de palavras faz valer a máxima de que tudo é possível. Desta forma, a literatura tem apenas uma missão narrativa; não importa o que narrar, mas que os contos se transformem em – como Cortázar chamou os contos de Poe – perfeitas máquinas de produzir efeitos fulminantes”.

Dos três contos, dois estão disponíveis no site Domínio Público. Para ter acesso aos textos, basta um clique: Um esqueleto e A chinela turca.

É sempre bom revisitar Machado de Assis. Boa leitura!

Stanley Marques

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Perversidade humana

Dois vídeos exibidos por emissoras de tevê e posteriormente disponibilizados na internet trouxeram à evidência a perversidade humana. No primeiro vídeo, a repórter de um programa policialesco de uma emissora baiana filiada à Rede Bandeirantes “entrevista” um jovem acusado de estupro. A acusação, o pranto e os erros de português do “entrevistado” são confortavelmente utilizados pela sorridente jornalista num verdadeiro circo de horror. Noutro vídeo, a apresentadora Xuxa confessa ter sofrido abusos sexuais durante a infância e a adolescência em uma entrevista ao programa Fantástico (Globo). O público não perdeu tempo e logo começou a se manifestar, tornando o assunto um dos mais comentados nas redes sociais. Diante de tanta bizarrice escrita por aí, felizmente fui surpreendido pelo sensato texto de Matheus Pichonelli publicado no site da revista Carta Capital. Clique aqui para ler o artigo “Sobre meninos e lobos” na íntegra. Acompanhe um trecho da matéria abaixo.

E o que a Xuxa e o jovem açoitado na Bahia tem em comum? Nada, a não ser a exposição diante de uma multidão sangrenta e incapaz de lidar com seus próprios crimes de maneira honesta. Casos de abuso sexual existem aos montes. É um fato, e só quem passou por momentos assim sabe o quanto pesa o silêncio e a exposição. Não parece produtivo combatê-lo na base do escracho ou da hipocrisia. 

Em tempo: Após a publicação desta postagem, Marina Benzaquen me sugeriu a leitura da matéria “A violência eufemismada de jornalismo: ‘Paulo Sérgio, estuprador”, assinada pelo jornalista Alexandre Haubrich e publicada em seu blog. O autor em seu texto aborda o primeiro infeliz episódio comentado nesta postagem e enfatiza a necessidade de regulação da mídia brasileira, que, a despeito de ser uma concessão pública, em incontáveis casos é utilizada como instrumento de “bestificação da população brasileira”. Clique aqui para ler o texto na íntegra.

Diante destes episódios, não nos resta outra conclusão: sobram pseudo-psicólogos e pseudo-psiquiatras enquanto falta qualquer senso de humanidade.

Até a próxima,
Stanley Marques.

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